Falando de... CAVALHEIRISMO X ROMANTISMO

P.S: Esse post talvez possa, erroneamente,  confundir alguém por
conta do meu feminismo. Quero deixar bem claro, porém, que diferente de muitas irmãs do movimento, não considero o cavalheirismo sequer parecido com o machismo que nos torna inimigos.

Hoje estou casada. Casar-se e se tornar dona-de-casa tem seus prós e contras, mas me faz feliz. O mundo parece melhor e mais colorido.
Mas, o que andei notando com a convivência com um homem fora da família, é as diferenças e semelhantes com os que eu já estava acostumada.
Cresci em uma família tradicional, com pais com um casamento sólido e feliz. Romantismo sempre foi algo estupidamente normal pra mim, ao ver meus pais, e sempre achei-o recíproco (ambos são românticos).
Mas, aí vi certas coisas que me intrigaram. Cavalheirismo. Essa característica tão incomum no atual século, e que deixa muitas mulheres intrigadas e confusas com a polêmica sexista, é totalmente diferente do romantismo a que me acostumei, e obviamente, se reduz a homens para mulheres (ou a mulheres para mulheres).
Abrir portas, ceder o lugar, dar licença, emprestar o casaco, pagar a conta, ajudar com as sacolas, e tantas coisas que considera-se uma forma de conquistar uma mulher, é apenas uma gentileza, ou simples educação, e não machismo ou qualquer forma de rebaixamento ou desvalorização.
Meu irmão cresceu com a ideia de que essas coisas eram de certa forma, coisas que demonstravam que a mulher era inferior ou fraca, o que não é nem um pouco verdade. A gentileza (inclusive com outras tipos de gentileza, não só para as mulheres), não torna alguém inferior ou superior. É apenas uma forma de educação bela e altamente elogiavel. O que não se restringe apenas a uma forma de conquista, jogo de sedução, manter a chama acesa ou reconquista. É a gentileza para todas as pessoas, sem distinção.
O romance, porém, que se trata de mandar flores, falar coisas bonitas ou elogiar, além de outras coisas, reserva-se ao romance em si (seja com a esposa, namorada, noiva, ficante, peguete ou amante), como uma forma de torná-la cada dia mais um pouco apaixonada (ou apegada).
O romantismo se iniciou em datas entre o século XI e XII, enquanto o cavalheirismo se perpetuou no XVIII. O mundo hoje em dia mudou, mas as formas de se tratar uma mulher não deve ser menosprezada, pelo simples fato de quê, o incentivo da igualdade (sou a favor da igualdade de direitos, mas não da igualdade de gêneros), traria um mundo onde homens bateriam e estuprariam mulheres por elas não serem 'fracas' e terem força pra defender-se (o que já está acontecendo aos poucos).
Acabando com o papo feminista, uso a bíblia como exemplo, com o livro de Cantares, que trata-se de uma enxurrada de romantismo (elogios um ao outro). Já o cavalheirismo, foi algo inventado bem depois da bíblia, o que não significa que seja ruim. Menosprezar ou diminuir uma mulher é ruim. Tratá-la com respeito e gentileza é fundamental.

Crise e superação - Cap extra (O drama de Fátima

A cena parecia de filme.
O casal sentado na grama verdinha, aos pés de uma árvore florida, as pétalas de cor lilás caindo devagar, como se fosse neve.
O céu azul formava o cenário, e até o tempo bom, com vento, fazia o dia ser mais feliz, como se tivesse sido formado exatamente para eles.
Fátima e Gabriel estavam completando três meses de namoro naquele dia. Era uma data importante. Apesar dos três anos de espera e de todo o drama que viveram, tinham agora em suas mãos o amor.
Tinham tido uma crise terrível. A ideia de que brigavam duas ou três vezes por dia já estava os atormentando... Por fim, decidiram acabar de vez com a fase ruim e criar seu próprio dia feliz...
Deus estava em cada detalhe daquele namoro. A espera, as orações, a consagração, os estudos bíblicos a dois, os planos...
E cada dia agora parecia ser feliz... Aquele o mais lindo de todos.
- Eu trocaria tudo isso que a gente tá vivendo pra que não sofresse tanto no passado... - a voz de Gabriel denunciava a sinceridade no que dizia.
Fátima sorriu.
- Eu sofreria cada minuto de novo e até mais, para estar contigo agora.
Selaram o que diziam com um beijo delicado. Seus olhos se encontraram, brilhando aquela felicidade comum entre casais apaixonados.
- Já fez tanto por mim, Gabriel...- Fatima começou, num momento - Cada detalhe do que tu fez pra mim... estar do meu lado, ser meu melhor amigo sempre que precisei... lutar por mim, apesar de meus erros idiotas... e o fato de me conquistar todos os dias agora... Obrigada por tudo isso.
Gabriel sorriu. Aquele sorriso torto, bobo e apaixonado que ele sempre dava quando ouvia algo assim dela.
- A melhor namorada do mundo merece tudo isso.
Ela revirou os olhos.
- To longe disso... - ela gargalhou.
A mão foi para a nuca do agora namorado, e o beijo finalmente se deu. Por minutos ficaram assim, curtindo o momento.
- E minha amante jamais chega perto de você - Gabriel brincou, a história que só eles conheciam, piada interna.
- Ela te ama há três anos... deveria ir atras dela - Fátima deu de ombros.
- Também acho... mas tem certeza que trocar a melhor namorada do mundo pela melhor amiga é uma boa ideia?
Ela gargalhou.
Namorada, melhor amiga, amante...
O amor se selava em cada gesto dele. Em cada ato dela. Aos poucos ambos iam se adequando um ao outro, e melhorando um pelo outro.
Porque o amor quando vem de Deus jamais vai acabar por uma crise.
Vai apenas cada vez mais se fortalecer ..

Falando de... PROVAÇÕES X PECADO X JUSTIÇA

"Eu vou fazer tudo que a Palavra me diz, pois machado nenhum vai cortar a minha raiz!" - Apc 16

O pecado é comum em toda a espécie humana. Pecados por sermos falhos, sermos carne, sermos de certa forma apenas humanos.
Mas existem versículos que ensinam sobre arrependimento, e o pedido de perdão a Deus, e a confissão do que fizemos a um superior, para sermos julgados conforme as regras impostas em nossa igreja.
O que percebo são milhares de "santos" e "perfeitos", julgando o outro por tal pecado, sem sequer pensar em olhar para si mesmo.
E pior! Vejo pessoas com pecados abomináveis dentro de nossas igrejas, muitas vezes exercendo cargos ou trabalhos, enquanto os que resolveram fazer a coisa certa estão sentados, pelo que fizeram, sendo julgados e discriminados.
Não que isso seja um problema. Pessoas são hipócritas desde que o mundo se fez, e eu vou apenas fazer minha parte. Justo não é, eu sei. Mas a justica do homem sempre foi falha, e portanto, só o que posso fazer é esperar a Justiça verdadeira, que separará o joio do trigo.
Mas de uma coisa sei. Os perseguidos são os que de alguma forma, incomodam. Eu sei que estou fazendo o que acho certo, que estou cumprindo regras, e obedecendo a Palavra de Deus. E sei que isso é o certo a se fazer, e por isso mesmo, incomoda quem está errado, ou aquele Inimigo que não quer nos ver perto de Deus.
Eu sei que Deus me perdoou. Que Ele me entendeu quando eu o confessei. Sei que Ele é misericordioso o suficiente pra não me julgar, diferente das outras pessoas.
E é quando se faz o certo, incomoda. E ai vem provações, lutas, problemas, críticas e julgamentos de todos os lados, principalmente daqueles que menos se espera. Como eu disse ontem: "A pedra vem de onde não se está olhando".
Não fico julgando, sabe. Deus sabe de todas as coisas, sabe que eu estou fazendo o meu melhor. E sei que Deus está a par de tudo.
Me disseram certa vez que quando alguém lança uma pedra, você fica furioso com quem a lançou e não com a pedra. E quem lança a pedra é o Diabo, as pessoas são apenas pedras na mão dele.
Maluco ou não, quem me deu esse conselho foi a mesma pessoa que tá sendo a pedra agora. A pessoa que está duvidando da fé de alguém, que está me criticando como se eu fosse a pior pessoa do mundo, e que acredite ou não, está fazendo o maior drama ao ponto de parecer que EU sou a maluca e errada da história.
Mas bem, o post não era pra desabafar, mas acabou se tornando (haha), mas tudo bem. Desabafos me fazem bem, e pode fazer bem pra alguém também, se esse alguém souber usar ao seu favor.
Só peço a Deus que essa provação seja aprovada por Ele, e que eu possa vencer e ser feliz (ainda mais do que já estou). Porque até queria provar pra quem está fazendo isso que ela está errada, mas decidi que a maior prova que eu posso dar, é ser feliz do meu jeito, ser reconhecida por Deus, e ganhar frutos.
Como diz a Biblia, a árvore se conhece pelos frutos, se não dá fruto é porque algo tá errado. Se dá, é porque Deus tá usando.
Ganhei mais um fruto ontem. Estou feliz demais com isso. O sexto fruto da minha árvore ainda vai render outros frutos, tenho certeza disso.
Concluo com um conselho: não importa quem esteja te criticando,ou de que lado tenha vindo a pedra, ou o quanto pareça injusto e revoltante.
Não se revolte. Não ponha a culpa na pedra. Passe pela prova glorificando a Deus, e provando pra Ele, e só pra Ele, que você é uma árvore que dá frutos, e que nenhum machado vai arrancar sua raiz!

"Você é um espelho, que reflete a imagem do Senhor, não liga se o mundo ainda não notou, já é o bastante Deus reconhecer o seu valor."Você é precioso, mais raro que o ouro puro de Ofir, se você desistiu, Deus não vai desistir. Ele está aqui, pra te levantar, se o mundo te fizer cair." - Raridade (Anderson Freire

Falando de... FINAL FELIZ (Cap 4 - Drama de Fatima)

Fatima esperou.
Esperou o tempo necessário até que Deus a ajudasse a transformar a vida de seu melhor amigo, Gabriel, que não só deixou de lado a depressão e a tristeza, como encontrou em Deus sua verdadeira felicidade.
A espera valeu a pena. Depois de mais de dois anos de espera, Gabriel pediu Fátima em namoro, no maior estilo dos contos de fadas.

Brendo é um bom amigo agora... casadoe a espera de seu filho, ele também tem seu próprio final feliz. E a melhor amiga de Fatima também encontrou seu próprio principe encantado...

Fátima nunca foi do tipo romântica. Era conhecida por ser a ogra grossa e sem vocação para amores.

Mal sabiam que ela apenas não tinha amado.
Com Gabriel a história é outra. Romantismo, declarações nas redes sociais, aquela mania de não querer ficar longe, o maldito ciúmes... tudo isso finalmente faz parte da vida dela.
E claro, Deus confirmou esse amor mais de uma vez, e fez com que tudo desse certo no final.
Porque afinal, pra quem confia em Deus, na vida real também existe final feliz...

FIM

Falando de... FEMINISMO X RELIGIÃO X SEXUALIDADE

Bom, como essa budega que eu chamo de blog é para dar minha opinião sobre assunto polêmico, resolvi que vou falar sobre um dos assuntos mais comentados do momento, o feminismo.
Eu fui criada numa família tradicional (pai, mãe e filhos), e fui ensinada daquela forma machista que todo mundo conhece. Meninas cuidam da casa, meninos podem sair, meninas são protegidas como bonecas e tudo mais.
Veja que apesar disso, não considero minha criação machista. Muito pelo contrário, fui criada com bonecas e carrinho, novelas e futebol, desenhos animados 'femininos e masculinos' (odeio essas diferenças) e meus pais sempre foram abertos comigo em relação a qualquer assunto. Vejo, portanto, que para  a criação que meu pai teve, ele é realmente bem a frente, e é por isso (e só por isso) que levo na esportiva os conceitos machistas dele.
Minha vida familiar me fez conviver com algo bem revoltante: minha mãe trabalhava a noite e cuidava de toda a casa durante o dia e meu pai trabalhava o dia todo e colocava todas as responsabilidades em cima da minha irmã.
Foi tudo isso que me fez ter esse pensamento: MULHER NÃO É OBRIGADA A APRENDER A COZINHAR, LIMPAR, PASSAR E COSTURAR. MULHER É LIVRE PARA O QUE QUISER SER E FAZER.
É uma visão feminista? SIM!
Mas eu não admitia. Na minha cabeça iludida de adolescente boba, inocente, virgem e que acredita em conto de fadas, eu seria a dona de casa ideal, enquanto meu marido trabalhasse. E essa visão distorcia meu lado feminista.
Até que um dia, a ficha caiu. Liberdade de escolha é isso! NÃO SOU OBRIGADA A SER DONA-DE-CASA, MAS TENHO ESSE DIREITO!
Com a descoberta do feminismo e a luta pelos direitos da mulher, veio a tona muitas ideias que eu já tinha mas não sabia ser feminista.
Defendo a liberdade sexual da mulher. Defendo a livre escolha de profissão. Defendo a livre escolha de ser ou não virgem. Defendo a livre escolha de parceiros ou parceiras, qualidade e quantidade. Defendo a mudança de sexo, de ambos os gêneros. Defendo a liberdade religiosa. Defendo a liberdade de ir e vir. A liberdade de ser quem quiser ser. A liberdade, enfim.
E aí fica a pergunta: "Como encaixo tudo isso na minha religião?"
Bem, tenho ideias feministas. Isso é o que sou. Isso não muda o fato de eu ser evangélica. Nem muda o fato de que EU ESCOLHI ESPERAR. Uma coisa nada tem a ver com outra.
"Mas você disse  que aceita a liberdade sexual!". Sim. Eu aceito, meu Deus não. Ou seja, se eu escolhi (meu direito de escolha, ninguém me obrigou) servir a um Deus que defende a virgindade pré-conjugal (e veja que isso inclui homens e mulheres!), eu tive como escolha (eu, não fui obrigada por religião, igreja ou mesmo por Deus) obedecê-lo. E se escolhi isso, inclui em minhas escolhas esperar. Esperar o casamento para o sexo e o prazer com quem amo.
Aí entra o grande tabu, sabe-se lá o porquê: a sexualidade. Deus fez o sexo. Ele o criou para feito entre o casal, a forma de reprodução E a forma de prazer. Por que é que as pessoas continuam agindo como se fosse um bicho de sete cabeças? É algo tão normal quanto comer, uma necessidade humana. Não tenho medo de falar no assunto, mesmo sendo solteira e não conhecendo o assunto na prática. É como respirar. Simples e complexo ao mesmo tempo.
Sexualidade foi um presente nos dado. Deve ser aproveitado. Eu escolhi me manter um presente fechado até minha noite de núpcias, mas nunca vou julgar alguém pelo que escolheu fazer com a sua. Só com o namorado? Com aliança no dedo? Com vários, conforme a vontade? Com vários em uma mesma noite? Com vários relacionamentos de niveis diferentes? Com uma pessoa ou várias? Com pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo ou ambas?
As opções são infindáveis. Quero ser respeitada pelo minha escolha de esperar o casamento. Do mesmo jeito, nada mais justo que respeite as pessoas que fazem escolhas diferentes das minhas. Assim também é com a religião, com o gênero ou com a classe social. Quero ser respeitado, vou primeiro respeitar o outro.

Escolhi ser evangélica, assim como escolhi ser feminista. Eu escolhi esperar. São escolhas. Sou digna de respeito como qualquer outra pessoa.

Falando de... GRATIDÃO

Há quem diga que ser grato é apenas reconhecer que alguém fez algo por você. Eu discordo.
Sou grata porque não mereci. Sou grata por tudo o que fizeram por mim.
Eu errei muito. Fui uma pessoa tão ruim para meus pais e amigos que merecia que todos eles sumissem da minha vida. Eu menti muito, roubei, fiz as pessoas que me amam sofrerem. Eu deixei que a culpa por tudo isso me dominasse e eu quisesse ter a atitude egoísta.
Hoje não vou contar minha vida ou testemunho, nâo vou falar qualquer coisa sobre mim. Vou falar a atitude deles.
Deus é o primeiro de tudo. Aquele que me tirou do lamaçal, me deu alegria, me tirou a carga de pecados dos meus ombros. Me ensinou a perdoar, inclusive a mim mesma. Deus tinha todo o direito de me lançar fora por todas as minhas faltas. Mas ele escolheu me amar e receber uma pecadora arrependida de braços abertos e deu a ela o melhor de tudo.
Foi ele quem me deu os melhores pais do planeta. Quanta coisa já fiz pra esses dois! E quando eu mesmo não me perdoava, eles ainda estavam lá, me abraçando, protegendo e ficando ao meu lado. Eles me deram o não-merecido, atuaram meus anos e anos de magistério. E quando ninguém mais ficou ao meu lado, eles estavam lá. Nos meus momentos de depressão e obsessão, sofreram comigo e me apoiaram, compreenderam. E depois de tudo o que fiz, nunca me jogaram nada na cara, pelo contrário, sempre me ajudaram a superar arrependimentos e melodramas.
A eles, o meu maior agradecimento. Sem vocês, sem tudo o que fizeram por mim, jamais teria me voltado pra Deus e encontrado a verdadeira felicidade!
E claro que tenho que aqui agradecer meus amigos! Aqueles que apesar de todas as mentiras, ainda me aturam. Aqueles que gostam de conversar comigo, mesmo eu sendo a pessoa chata que nunca cala a boca. Aos que me apoiaram em momentos depressivos e aguentaram meus momontos de loucura. Aos que tinham sempre palavras de consolo. E aqueles poucos que me perdoaram pelos muitos erros.
Gratidão é mais que reconhecimento. É fazer algo pra agradecer essa confiança toda. Quero passar no vestibular e me formar professora em gratidão a meus pais. Quero almas em gratidão a Deus!

Falando de... LIBERDADE X OBEDIÊNCIA

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm." - Apostolo Paulo, Biblia Sagrada.

Confesso que pensei bastante antes de postar isso aqui.
Isso porque vou falar sobre assuntos tabus, que não costumamos falar livremente com nossos amigos ou mesmo na igreja. Além disso, vou abordar coisas pessoais e talvez me expor um pouco. E bem, vou usar uma comparação bem polêmica.
O que me fez postar, porém, foi exatamente tudo isso. Devemos quebrar tabus e preconceitos tolos e passar a viver uma vida verdadeiramente cristã, em obediência e santidade.

Há tempos escuto falar sobre educação (Eu estudo para ser professora, pra quem não sabe), da qual deve-se dar liberdade a criança (ou adolescente), para que ele aprenda a obedecer sem medo de ser castigado se não fazer a coisa certa. Mas também aprendi que essa liberdade é condicional, ou seja, quando a liberdade ultrapassa a linha permitida, os pais precisam estar lá pra corrigir, aconselhar, educar e até castigar quando necessário.
Nossa vida com Deus é exatamente assim. Ele nos dá toda a liberdade que quisermos. Estamos livres para tudo, tudo nos é lícito. E apesar disso, quando escolhemos ser governados por Deus, Ele continua a nos dar a mesma liberdade, mas a diferença está no seu agir conosco. Quando somos filhos, Deus nos corrige, aconselha, educa e corrige. Às vezes a correção de Deus dói. Mas assim como um pai, Ele nos ama, e está sempre nos perdoando.

Partindo desse ponto, vou falar sobre o maior tabu criado: o sexo. A biblia é clara quando fala disso depois do casamento. Tem gente que acha que isso é porque Deus é um cara moralista e chato, cheio de regras. Ei, sabia que Deus deu essa regra por amor?
O sexo é bom, sim, e todo mundo sabe disso, mesmo quem nunca fez. As grandes massas hoje, buscam no sexo o prazer, carinho e o preenchimento de uma carência que não passa facilmente.
A mídia faz apologia ao sexo livre, não por maldade ou degradação da família, mas porque o mundo procura nessa falsa liberdade, aquilo que faça feliz.
Vou te contar um segredo: Deus sabe que o sexo livre vai te fazer sofrer! E por isso mesmo, Ele deixou essas leis 'moralistas e chatas'. Todo ato sexual é uma espécie de 'cola' de sentimentos. Todo casal que pratica o sexo, cria uma espécie de proteção entre eles, inquebrável. O sexo não é só a união de corpos, mas de alma! Sempre que um casal se separa depois de ter tido o ato sexual, a 'cola' vai desgrudar com dificuldade, sendo impossível fazê-lo sem que ambos se machuquem com o rompimento.
Se isso acontece com um casal que se ama, já viu o que pode acontecer dentro de alguém que pratica o sexo livre? Cada um que passa por ela, vai deixar uma marca, uma ferida. Mesmo que por um tempo a pessoa se sinta feliz, satisfeita e realizada, vai chegar a hora que vai perceber que foi usada como um objeto, por todos os que passaram por ela. E isso vale pra ambos os sexos, sim! A escolha pela falsa liberdade pode trazer sofrimentos inumeráveis!
O sexo é vital, necessário e bom para a vida humana. Deus o fez para o prazer humano. Nos deu como um presente, um ato de amor dele para conosco, e de um para o outro. Ele sabe de nossas vontades, desejos e pensamentos, e quer saber de algo? ISSO É NORMAL! Humano! A teoria de Freud está aí pra provar que o sexo faz parte de nossas vidas desde sempre, e que vamos conviver com ele até o fim! Somos humanos, e assim como temos fome e sede, e já estamos acostumados com isso, o nosso corpo também tem necessidade de sexo. E não, isso não é feio! 
Se a conversa sobre comida, sede, fome e necessidades fisiológocas é normal, o sexo também tem de ser. Isso não significa que você vai sair falando disso aos quatro ventos. Mas conversar com os pais, os amigos, líderes e pastores sobre isso é necessário, sim! Como qualquer adolescente, você tem dúvidas, e então aproveite para tirá-las com quem ama você e sabe o que é melhor para você.
O mundo oferece oportunidades sem fim: filmes, pornografia, livro erótico, cenas sensuais na TV e sensualiade em anúncios e propagandas. Fuja disso! Mas claro, que nunca vamos ficar completamente longe dessas coisas. E aí vem minha comparação polêmica

Estou lendo 'Sol da meia-noite', o não publicado livro que conta a versão de Edward sobre Crepúsculo. Me julguem, se quiserem. Só Deus pode me julgar.

Edward aqui, sofre muito pelo desejo incontrolável que tem pelo sangue de Bella. Ele tenta fugir, mas como não consegue, tem de aguentar isso por amor a ela. Seu amor o torna forte, e além de não ferí-la, evita ferir a si mesmo e a sua família.
Pode dizer que o livro é ruim, ou que eu não deveria ler, mas não pode negar a incrível comparação. Nós, como humanos (adolescentes, principalmente), temos desejos o tempo todo. Nosso corpo é carnal. Por amor a Deus, temos de nos privar de satisfazer esse desejo, e assim, estaremos protegendo a nós mesmos, e aos que nos amam. Se preciso for, fuja disso. Se não for possível fugir do que te faz sentir desejos assim, se destraía. Assim como Ed buscava nos animais o sangue de Bella, busque esquecer do sexo em outras coisas: vidio game, filmes, séries, esportes. Use a imaginação! Mas para o que presta, ok?
Você é um presente de Deus para alguém especial que o aguarda chegar. Não deixe outra pessoa abrir esse presente, ou mesmo que ele seja aberto antes da hora. Quando chegar a hora certa, Deus vai sorrir por você ter se guardado. E a pessoa especial que aguarda você, vai receber um presente intacto. E ah, se por um erro do passado, deixou seu presente ser aberto, não se entristeça. Busque o perdão de Deus e Ele fará o embrulho, mesmo aberto, ser a coisa mais especial que alguém já recebeu ;)

Quero fugir, não tenho forças para ajudar (Conto)

AVISO: Esse é um conto evangélico. Contém cenas fortes. Não recomendado para menores de catorze anos. Não aceito preconceito, de nenhum tipo, por aqui.


Dedicado a meus líderes que inspiraram os personagens Dayo e Miranda, que eu amo muito, e tenho muito orgulho: Ademar e Adelise Meyer.

Era verão, e estava quente. Eu estava sentada ao lado do ar condicionado ligado, então provavelmente eu iria pegar um resfriado depois. Mas, bem, era uma data importante. Era o encontro nacional de jovens evangélicos, e o lugar estava tão lotado quanto não poderia estar. O evento estava acontecendo na minha igreja, pois tinha um dos templos maiores do país. 
Eu era coordenadora de mídia e comunicação da minha igreja. Por isso mesmo, tinha um notebook comigo, onde eu ao mesmo tempo, cuidava o datashow e noticiava o que acontecia no Facebook e no Twitter que tinha criado especialmente para o meu grupo de jovens. Era um dia feliz e cheio de expectativas para todos nós. Onde jovens se encontram é o lugar perfeito para se fazer amizades, e quem sabe, encontrar aquela pessoa especial.
Meu nome é Aretha. Eu sei, é um pouco diferente. Trata-se de um nome grego, já que minha família é ortodoxa. Eu e meus irmãos, escolhemos a religião evangélica, em um dia comum há dois anos atrás, quando Deus surgiu em nossas vidas e nos mostrou um mundo totalmente novo. Claro que respeito e muito a religião dos meus pais, inclusive amo meu nome, cujo significado é o que me diferencia dos meus irmãos e do resto do mundo. Sou A Melhor. Sou Aretha.
Meus irmãos, aliás, são os gêmeos dois anos mais novos que eu, Berenice e Benedito. Os dois nasceram numa época em que minha mãe tinha uma doença grave, e a gravidez, por milagre, ajudou a recuperação. Por isso mesmo, seus nomes significam Aquela que trás a vitória, e Bendito. Com seus dezesseis anos, Nice era a mais responsável da família, inclusive mais que eu. Dito era o extremo oposto. Nunca o vi muito envolvido com as coisas da igreja, e vivia a procurar encrenca por aí. Mas era um bom garoto, nunca prejudicou ninguém com sua hiperatividade. Que aliás, era uma características dos dois.
Claro que Berenice estava sentada ao meu lado, no seu melhor look - ela tinha um visual nerd chic que eu amava - e com a chapinha bem feita no cabelo cumprido. Dito estava em algum lugar do lado de fora, provavelmente tentando conquistar as pobres meninas inocentes, que era sua maior fama. 
Como o evento duraria o dia todo, haveria um intervalo para o almoço, que poderia ser realizado ali ou em casa. Meu líder de jovens, Dayo, estava falando sobre a honra de ter aqueles jovens ali, e se emocionara. Ele era uma benção de Deus em nossas vidas. Antes dele, o grupo de jovens era disperso, desanimado e quase nunca se envolviam no que não envolvesse diversão na teoria deles. Dayo foi aquele que não só tornou Deus maior que tudo em nossas vidas, como além de tudo isso, é divertido, amigo e conhece a todos nós pelo nome. E o amor que tem por nós é tão puro e tênue que me emociona só de pensar. Finalmente, ele despediu a parte da manhã.
- Ei, Aretha, enquanto termina tudo aí, vou dar uma volta para ver se conheço alguém, tá bom? - Berenice sorriu - Volto em meia hora no máximo, consegue desligar tudo até lá, né?
Fiz que sim com a cabeça, sem tirar os olhos da tela. Vi pela visão panorâmica quando ela saiu, atrás dos centenas de jovens. Continuei meu trabalho pela meia hora prometida e só então, desliguei o computador e o aparelho de datashow.
Saí para o pátio, observando tudo. A maioria estava no outro prédio, almoçando ou esperando na fila por isso. Os poucos jovens que sobraram estavam do lado de fora, conversando com Miranda, a linda e amável esposa de Dayo, grávida de sete meses e sempre com uma fé inabalável em todos nós. Tínhamos líderes de ouro, e eu sabia bem disso.
- Então, vamo lá? - convidei - O ônibus sai em alguns minutos. 
Berenice estremeceu ao meu lado, mas eu ignorei. Não avistei Dito em lugar algum.
- Cadê o Dito? - perguntei aos outros.
- Tá almoçando - falou a voz delicada e calma de Miranda, sorrindo - Deixa ele aí, Aretha, cuido dele - ela piscou.
Olhei pra ela com aquela expressão "Tem certeza que quer fazer isso? Ele é Benedito!". Ela fez que sim com a cabeça a minha pergunta imaginária. Confiança demais, como sempre.
Fiz com a cabeça um sinal para que Nice andasse. Ela me seguiu, um tanto quieta, o que me deixou meio desconcertada. Berenice e Benedito eram conhecidos por falarem o tempo inteiro, criarem assuntos do nada. Algo devia ter acontecido. Talvez ela tenha tentado conversar com alguém que a ignorou ou algo assim, não sei. Mas isso não seria motivo o suficiente para fazê-la calar, devia ter acontecido alguma coisa.
- Nice? - estávamos agora no corredor que levava ao estacionamento, onde  o ônibus esperava - Aconteceu alguma coisa?
Ela olhou de um lado a outro, nitidamente assustada e me abraçou forte, tremendo tanto que eu tive medo que despencasse.
- Nice, o que foi? - perguntei de novo, agora mais carinhosa.
- Eu perdi a virgindade com alguém hoje, Aretha - ela disse isso num sussurro rápido, abafado pelos soluços - Eu quero morrer. Eu devia morrer, devia ir pro inferno, eu mereceria.
- Ei, não viaja, Bê - só a chamava assim quando se tratava da minha irmãzinha, não mais da minha melhor amiga - Todo mundo merece morrer, todo mundo tem pecado, Deus não olha tamanho de pecado, tá bom? Agora conta essa história direito, ok?
Ela caiu em um choro dramático, com soluções e lágrimas em demasia. Meu ombro encharcou e eu tive vontade de chorar junto com ela, mas o que teria acontecido?
***
Finalmente, estávamos no ônibus. Meu irmão estava com a gente, apesar de já ter almoçado. Além de nós, mais seis jovens estavam dentro do veículo, um pouco mais atrás, de modo que não podiam ouvir o que falávamos.
- Agora que já está calma, pode me contar o que aconteceu? - pedi, implorando a Berenice, que agora estava sentada quieta, olhando a janela.
- Foi... Tudo rápido demais. Confuso demais - ela falou, finalmente.
- Quando? - perguntei, arrasada. Queria tanto ter o que falar, uma forma de ajudar, mas eu não via como.
- Na hora do almoço - ela mordeu o lábio, mas ainda não olhava pra mim - Quando saí de perto de você.
Enruguei a testa, meu peito doendo por dentro.
- Mas, Nice... - mordi o lábio também, com tanta força que senti gosto de sangue - Foi assim tão rápido? Como foi que isso aconteceu? E com quem?
Ela tinha os olhos baixos, como se tivesse de olhos fechados. Todo seu corpo tremia, suas pernas faziam um movimento como se estivessem dançando.
- Ele provocou - ela choramingou - Estávamos conversando, ele subiu em mim, eu não disse sim, mas também não disse não. Ele me provocou.
O choro saiu da garganta dela, num corroído sentimento de angústia e culpa. Me segurei pra não cair no choro também.
- Ele fez de uma forma que praticamente nos obrigou - agora era a voz de Dito - Perdi as forças, não consegui lutar, ele praticamente abusou da gente.
Meus olhos cresceram automaticamente, e eu me ergui de súbito, o coração batendo descompassado.
- Você também? - perguntei, agora a raiva crescendo dentro de mim - E com um cara?
Eu estava gritando agora. Todos os outros jovens me olharam, Dito me xingou com um olhar. 
- Não foi nossa culpa, foi um abuso - ele repetiu, como pra fazer ele mesmo acreditar.
De repente, o ônibus acelerou muito, quase erguendo. Me segurei como pude, mas caí no chão. Todo meu corpo doeu, reclamando do tombo. Os outros se seguraram nos bancos, fui a única que estava de pé. Eu gritei. O ônibus virou na direção de um caminhão, arrastando o outro veículo com ele até a avenida, e bateu com força no prédio, junto com o caminhão. Pressenti a explosão, antes que pudesse fazer alguma coisa, Dito tinha aberto a saída de emergência e nos ajudava a sair do ônibus.
- É ele, Aretha - choramingou Berenice, como uma criança grande - Foi ele, deve ter ouvido, tá tentando matar a gente.
- Não seja ridícula, Bê, por que ele mataria você?
Vi uma sombra perto de mim. Virei a cabeça e vi, perto demais, Keiko, a oriental de vestido vermelho e cabelos pretos soltos ao vento. Ela tinha no rosto um sorriso diabólico, que fiz o que uma cristã faria.
- Tá repreendido, em nome de Jesus! - gritei, meu coração pulando no peito. Ela riu.
- Vocês estão mortos, seus imbécis. E nenhum Deus vai salvar vocês.
Corri, levando os gêmeos atrás de mim, o mais rápido que pude. A japa aparecia em volta como se estivesse se teletransportando muitas vezes. Finalmente chegamos em casa. A frente estava coberta de ferramentas. Estranho. Entramos o mais rápido que conseguimos, Berenice ainda chorava. Dito fechou a porta atrás de nós, e só então virei. Os corpos inatos dos meus pais estavam no meio da sala, as cabeças esmigalhadas, provavelmente por um martelo. Estremeci, e só então caí no choro, caindo sentada ao chão.
- Meu Deus! - gritei em voz alta - Te sirvo há tanto tempo, por que é que isso está acontecendo com a gente? O que foi que fizemos?
- Foi exatamente esse o erro de vocês - o rosto do motorista, que eu sabia se chamar Dakota, surgiu no vidro agora quebrado da porta dos fundos - Servir a Deus. Tenho observado sua irmãzinha há meses. Ela nunca sequer olhou para mim, porque sabia que eu não tinha o mesmo Deus que vocês. Foi fácil mentir que tinha me convertido e puxar um assunto qualquer, fazê-la pensar que o abuso foi culpa dela. Enquanto vocês estavam naquele culto, eu matava seus pais. Tudo isso não é mero capricho de alguém que desejou uma menina, não. Tudo isso é pra ele.
A risada ecoou pela casa, eu estremeci. O choro de Berenice ficou mais alto. Mas que raio estava acontecendo, o que é que eu não sabia?
- Ele é um adorador de Satã - Dito explicou, tão calmo que tive medo que fossem dois - Ele e Keiko. Os dois estão namorando há algum tempo, planejando coisas malignas. A missão de Keiko era desviar alguns dos jovens, ela não conseguiu.
- Por pouco tempo - Keiko surgiu bem atrás de mim, e eu gritei. Tentei correr, mas não tinha pra onde. Ela tinha uma arma na mão, uma que eu sabia ser uma 38, porque meu pai tinha treinamento militar. Todo meu corpo tremia. Nunca tive medo de morrer, sempre tive convicção de que estaria no céu se acontecesse algo. Mas pela primeira vez tive medo.
De repente, uma mão surgiu não sei de onde e tirou a arma das mãos de Keiko como num passe de mágica. As mãos eram de Dayo, que entrara com Miranda, sorrindo os dois.
- Demorei um pouco? - ele perguntou, como se estivesse ali para uma visita de fim de semana - Por favor, Benedito, pegue sua irmã gêmea e leve para o carro, agora.
Dito segurou Nice no colo, que ainda chorava, tremendo. Eu ainda chorava, mas eram só lágrimas agora. Miranda me abraçou, mantendo-me longe da bagunça toda. 
- Vou chamar a polícia - anunciou Dayo, pegando o telefone. Em seu momento de distração, Keiko tomou a arma de volta e apontou para a cabeça dele. Miranda gemeu.
- Como foi que souberam o que tava acontecendo aqui? - ela perguntou, desnorteada.
Dayo ainda sorria, como se fosse a mais amigável das conversas.
- Deus me deu uma visão enquanto eu almoçava. Vi vocês dois, e tudo o que aconteceu, inclusive aqui. E Papai me disse para salvar as crianças, para protegê-las, dar um lar a elas.
- Seu Deus vai proteger você de um tiro? - ela sorriu, maliciosamente, destravando a arma.
- Talvez - ele sorria - Se salvar, tudo estará bem. Se não salvar, vou estar com ele em minutos. Tenho certeza.
- Dayo - era a voz de Dakota agora, que já abrira a porta e estava em frente a namorada. - Sei que fiz atos abomináveis. Mas deixe que Keiko se salve. Ela é uma boa garota. Ore por ela, leva-a daqui, tire desse tormento, faça com que aceite a teu Deus de verdade, que renuncie todas essas coisas.
Dayo assentiu, com confiança. Inesperadamente, Keiko virou a arma na direção de Dakota, que arregalou os olhos.
- O que tá fazendo? - ele perguntou, assustando.
- Não vou ir com eles, Dake - ela falava com raiva - Não me obrigará a isso. Fiz o juramento que ia obedecer a ele a vida toda. Que ia ajudá-lo a governar o mundo, quando ele vencesse Deus.
Eu soltei um gritinho. Ver seus amigos falando dessa forma dói. É como se alguém tivesse enfiado uma adaga em suas costas, e você não pudesse tirar dali, pois sangraria mais. Mas se não tirar, não vai cicatrizar nunca. Então ela fica ali, doendo, machucando como o tormento eterno. É triste perder um amigo assim. É pior que perder para a morte.
- Adeus, Dake - eu fechei os olhos. 
O tiro ecoou dentro da casa, e eu soltei o choro num gemido. Abri os olhos, a procura do corpo de Dakota, mas o que vi foi ele olhando aturdido para o corpo de Keiko, que acabara de dar um tiro na própria cabeça.
- Dake - a bondade de Miranda sempre falava mais alto, seu coração bondoso acreditando no melhor das pessoas - Deus te aceitará de volta, se você se voltar pra ele. O Diabo não vence a Deus. Você pode vir, se quiser, pro lado bom, basta pedir perdão a Deus.
Ele gemeu um bocado, olhou para Dayo, que o olhava num misto de compaixão e esperança.
- Dayo, eu nunca entendi o por que de vocês amarem tanto todos esses jovens - ele falava sinceramente agora - E nem esse Deus. Se ele é tão bom, por que não acaba com a pobreza, com a fome? Ou não salva a todos, ao invés de dar a eles a condenação eterna? Nunca entendi nada disso, mas uma coisa entendo muito bem, Dayo. Entendo que o que vocês fizeram hoje por essas três crianças, eu não faria nem a minha mãe. E isso deve ter um significado. Não consigo amar a ninguém, e mesmo assim, sua esposa acaba de provar que me ama. E isso é confuso. Mas se esse amor que vocês sentem vem desse Deus que vocês confiam, eu O quero.
Dayo e Miranda sorriram. Eu olhei de um a outro, desacreditada. Não é possível que pudesse mesmo acreditar na bondade daquele filho da mãe que fizera tanta maldade pra minha família. Não é possível que fossem mesmo perdoá-lo.
Uma voz em meu ouvido soou como um trovão.
- O amor vem de mim, filha - era Ele, era Deus - O perdão também. Se eu o perdoei, quem é você para sentir raiva ou mágoa?
Um bálsamo de fogo surgiu no meu peito, e do meu coração surgiu um amor por aquele homem estranho. Não um amor carnal. Um amor pela alma dele.
Hoje fazem dez anos que tudo isso aconteceu. Dake se tornou meu marido, três anos depois. Deus curou o trauma dos meus irmãos, e também os deu amor. E Dayo e Miranda são tutores dos meus irmãos, desde que meus pais se foram. Keiko foi homenageada pela igreja da mesma forma que qualquer um de nós, e ninguém soube que ela era adoradora do outro lado. Preferimos que os outros lembrassem dela como aquela menina linda e meiga, que ajudava a todos e tinha um lindo dom do canto.
As coisas mudaram. Hoje eu ensino adolescentes que sofreram abuso a passarem por isso, e perdoarem seus agressores. Os gêmeos fazem um trabalho semelhante com crianças. E no mundo, as coisas podem demorar muito ainda pra se tornarem como a gente quer. Mas Deus está sempre pronto a nos dar amor, por todas as pessoas. E o perdão, quando necessitarmos dele.


Autoria de Fran Carvalho
Agradecimentos a Eliéser Carvalho, Yasmin Souza e outras pessoas que me ajudaram de alguma forma na criação do texto.

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